a vírgula

Como me disse um dia a minha prima Sophia: “Fazer pouco da Esquerda (política) é muito mais fácil pois atiram-nos sempre novo material para a piada fácil!”
Tout court.

E não é que é mesmo?
Têm verve, reconheço-lhes, e uma capacidade de se impor pela incapacidade de não se cansarem.
Se argumentação desbragada, mesmo sem razão ou lógica,for uma qualidade, ganhariam o prémio por nos fazerem desistir no desespero de tanto tiro no pé.
Ou seja, entre a verdade factual, há a mentira populista da manipulação.

Ou aquilo que chamo de vírgula.
Aquela que nunca colocam, e ao escreverem frases ininterruptas, sem pontuação, o sentido tem ambíguas interpretações, duplos contextos, enviesadas ideias, e a incompreensão como latência da objectividade.
Adiante.

Entre a verdade da mentira eis que surge mais um cartaz alicerçado no radicalismo emocional de um Povo deixado à deriva do conhecimento Humano.
“Um País não se vende!” – escreve-se na última publicidade Bloquista, em tom de sofreguidão existencialista sobre o estado do Estado e das sucessivas privatizações que nos estão a levar mão em vez de anéis, a retirar a Soberania Portuguesa, tudo ilustrado com as imagens das últimas e “mais penosas” vendas do estado Português.

virgula.jpg

A ser verdade, que na actualidade contemporânea um País Soberano não vende o seu território, sob uma perspectiva histórica tal não é assim, e em tempos não tão distantes da memória registada, a troca territorial monetária, maioria das vezes por questões militares, era uma constante.
Mais ainda nos países jovens como, a título de exemplo máximo, os Estados Unidos da América.

As mais famosas compras e vendas Norte Americanas são o Tratado de Adams-Onis em 1819 – em que a Espanha vende o Estado da Florida e redefine o território Mexicano; a Venda do Luisiana em 1803 – em que a França vende por 15 milhões o correspondente a 23% do território Americano actual; e a Compra do Alaska em 1867 – em que a Rússia, por necessidade financeira e receio bélico, vende uma fatia substância do seu território.

Apesar de terem existido alguns problemas de início, como não poderia deixar de haver, qualquer uma das operações de compra e venda foram bastante bem sucedidas, e os residentes dessas áreas acabaram por ser integrados no seu novo País.
A Soberania de um não se perdeu em detrimento de outro.
E a título de curiosidade, quer no Luisiana quer no Novo México, as culturas ditas de origem, prevalecem e estão tão enraizadas no dia a dia das pessoas que já fazem parte do país que as comprou.

Mas vamos às vírgulas na actualidade, pois do passado histórico não se fazem as verdades ideológicas resgatas das bocas bloquistas dos deputados do maior partido da minoria reinante (excluindo os vegetarianos…).

Hoje em dia já mais não se compram ou vendem territórios Soberanos.
Ou pelo menos a fazer-se não se declara como território pertencente a outro País. (excluo o território onde se funda uma Embaixada)
Mas e que dizer dos 3.240,000 Km2 que o Grupo Estatal Chinês Heilongjiang Beidahuang Nongken comprou na Argentina para plantar viveres para exportação directa?
Será que isso não é comprar um País?
Ou que esse mesmo País não se vende?

Ou pior, tal como a memória das virgulas históricas do cartaz Bloquista se esqueceu de dizer, quando os Países estão em dificuldades financeiras e o seu recurso natural de sobrevivência é vender o que dispõem para salvaguardar o seu Povo, vende-se, também, território.

E tal como foram os perigosos e libertários capitalistas Americanos um dia a comprar das potências em risco financeiro, agora são os Chineses, esses de ideologia à “Direita” da Esquerda Bloquista, os grandes compradores de tudo e todos.

Ou nas imortais palavras da herdeira latifundiária Mariana: “Portugal entrou no mapa! É a loja dos 300 da Europa.”
O que suponho, pela memória da herança histórica, seja algo muito bom.
Ou, vírgula, não.

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