O Ratio Social

Os edifícios definem justo aquilo que os Governos querem transmitir no tratamento dos seus cidadãos, e o Brent Civic Centre em Wembley da autoria dos Arquitectos Michael e Patricia Hopkins é justo isso, uma miragem de funcionalidade agradável. Do conceito recto do que o funcionalismo público eficiente deve ser, em corredores amplos, bem iluminados, senhas com códigos de cores, cadeiras coloridas, áreas e zonas designadas, e placares retroiluminados com gravações em vozes suaves a dizer que chegou a nossa vez.

O ano é 2013, e depois da trapalhada de anos a fim do Welfare estar a esgotar os ditos 2/3 do orçamento anual Britânico, com ajuda a quem já percebeu que não precisa trabalhar para receber aquilo que lhe prometeram dar em troco de nada, chegou a altura de tomar uma atitude.
Chegou a altura do Ratio Social.

A definição simples de um ratio é a proporção lógica entre duas grandezas. Comparar o valor da vida humana com o seu custo efectivo, por exemplo.

Mas vamos perceber a lógica da folha de Excel, a lógica da burocracia lancinante em acção. Começamos com o Estado Social. Era preciso para se melhorar. Era certo.
Depois os utilizadores perceberam o esquema, aproveitaram-se do mesmo, e de Estado passou a Estafa Social.
E agora, feito o pecado original, que nunca deveria ter sido cometido – ou não deveria ter sido, ‘populistamente’, alterado; chegamos ao Ratio Social.
É a introdução estreita de números numa coluna, aqueles que queremos ver na outra, apertar num botão, e esperar que o calculo arbitrário faz, nos dê a resposta imediata de aplicação pratica.
Só que aqui há vidas humanas em jogo.
Há?

RATIO SOCIAL.jpg

Pretende-se, quase de forma arbitrária, como fica patente neste documentário da BBC: ‘Don’t Cap My Benefits!’ (Não cortem os meus Benefícios), retirar os direitos que se deram às pessoas, pela simples razão de que há que as educar, fazendo com que ao invés de emanciparem-nas pelo que lhes devem, vão antes trabalhar pela vida.
Verdade que a razão subjacente é lógica, faz sentido, tem razão e é puramente necessária, mas a forma de aplicação é tão acrílica, plástica, artificiosa, artificial, ensaiada, arquitectada, que toda a descrição que faço na introdução sobre o edifício como o símbolo do propósito que cumpre, serve justo para o que foi projectado.

Nunca retirar benefícios a cidadãos ‘enganados’ num populismo eleitoralista, ao longo de décadas, dedicados a viver da ajuda da Segurança Social, foi algo tão prazeroso ou agradável. Ou dito isto, bonito.
O edifício é uma jóia da arquitectura contemporânea, hipnótico, interessante, funcional, e os écrans com a voz em comando de chamada, únicos.

Mas a vida das fardas e lenços coloridos, da maquilhagem dos funcionários públicos que nos dão prazos de horas para decidir o nosso futuro num ápice não é ‘chá e simpatia’, e a adversidade é complementada com um policia de protecção civil apto a defender ou obrigar a escolher ficar sem nada.

O temível, o temerário disto tudo, se horror há nesta realidade alternativa da vida vivida entre a separação física de uma tela de computador, um código e um número, a designação correspondente daquilo que um cálculo diz que devemos auferir, é sermos todos Seres Humanos, e como tal, seja Estado, Estafa ou Rácio, é sempre Social.
Quer goste-se ou não.

E a Europa, velha, cansada, ensinada de se ensinar, bem podia aprender a não se iludir com o erro de se querer enganar com o engano do erro aprendido da verdade dita mentira.
Quando foi desenvolvido e aplicado pela primeira vez, o Estado Social, foi alvo de amplos estudos e criticas, e como tal, avisos à perversão populista que, invariavelmente tomou.

Porque agora, o que não tem solução, solucionado está…

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