Uma carta de recomendação

Banco Central Europeu

Rue de la Loi/Wetstraat 223
1040 Bruxelas
Bélgica

Exmo. Senhor Presidente do Banco Central Europeu
Dr. Mario Draghi
Sou o Francisco Caetano de Moura Pinheiro, cidadão Brasileiro, nascido e residente em Portugal desde 22 de Abril de 1983.
Decidi escrever-lhe para partilhar a minha preocupação enquanto cidadão da Comunidade Europeia, de Portugal, contribuinte, e porque me parece que protestar, sem apresentar ideias, mesmo que não sejam viáveis, é sempre caminho para uma anarquia extremista.

Não sou um Economista formado com um grau académico elevado. Não tenho qualquer tipo de preparação no Mundo das Finanças, ou do dinheiro em grande escala, dos Bancos, das Multinacionais, ou de outra fonte de entendimento que não seja o meu estudo pessoal, vida, e pouca experiência que tenho de ver, observar, ponderar, pensar, analisar, e objectivar ideias.

Sou um mero Arquitecto, formado na Universidade Lusíada de Lisboa em 2006 com média final de curso de 16 valores. Concebo ideias, conceitos, projectos que, eventualmente, se constroem.
E há um principio, regra básica, na construção Arquitectónica, de que um edifício, uma Obra, não se começa a construir pela cobertura. Constrói-se a partir das suas Fundações, os seus Alicerces, onde, assente em Pilares, tudo se aguenta.

Ao que vejo, pelas notícias que vou lendo, o Banco Central Europeu está, numa tentativa final de resgatar o poder económico e soberania da moeda forte Europeia, apto e pronto para comprar divida pública dos países que têm como moeda o Euro.
Bem, se bem aprendi alguma coisa de economia, na cadeira semestral que tive sobre essa matéria, no terceiro ano da Faculdade, no curso que fiz, foi que, ao se aumentar o volume de um determinado bem no mercado, esse bem, por existir mais do mesmo, perde o seu valor, e por tal, provoca inflação.
Penso não estar a extrapolar um conceito básico da economia.
Assim, e apesar de compreender as intenções do BCE, não posso deixar de fazer um aviso sobre esta manobra, chamada de ‘Bazuca’, e de que a mesma, será um tiro no pé: provocará mais inflação numa Europa aflita com a crescente inflação a Sul, e um descontrolado enriquecimento a Norte.

Se o objectivo é tratar todos por igual e evitar a deflação, como principio matemático aplicado no abstracto, penso que não irá funcionar.

Tenho acompanhado desde o inicio a ‘nossa’ União Europeia. Eu era uma criança quando em 1986 Portugal se juntou ao grupo, e na época éramos CEE, onde a troca económica era a base fundamental.
Hoje somos muitos mais, e a economia é outra, numa troca mais que comercial. É não só de bens, mas de pessoas. Somos abertos ao Mundo, permissivos, passivos. Seguimos, e bem, a dialéctica do diálogo.

Pois, mas aqui entra um problema de base, a tal história da construção Arquitectónica. Para se solucionar um problema há que perceber a sua origem.

O problema Europeu não é, de todo, a sua moeda. O Euro é óptimo. É uma moeda forte, grande o suficiente para fazer frente ao imbatível dólar.
O problema do Euro é que os países que o detém não tem a mesma cultura. Não falam a mesma língua. E isto no sentido literal.

O problema de base do Euro está na questão base da Comunidade Económica Europeia. De que somos vários. 28 países na Actualidade (se não me engano) que comunicam em 24 distintas línguas, culturas, e formas de tratar as suas finanças e dinheiro. E aqui reside o problema fundacional que afecta o Euro.

O Banco Central Europeu bem pode investir todo o dinheiro, retirá-lo, convertê-lo, subvertê-lo, até mesmo pervertê-lo, que enquanto as 24 línguas, ou no caso, os 19 países que utilizam a moeda única, não chegarem ao entendimento de que há que haver uma regulamentação centralizada, eficiente, e de que as finanças centrais Europeias são de facto feitas no BCE, nada vai mudar.

Visto de fora, para um leigo na matéria como eu, até parece que sim. Que é o BCE quem manda nas finanças dos Países afectos ao Euro, mas se assim fosse, para quê cada País ter o seu Ministro das Finanças com os poderes de Governação Local que tem, e a capacidade de gerir dividas incontroláveis que têm levado a pedidos de resgate e a planos de austeridade como foram o caso Grego, Irlandês e Português?

Se formos ver exemplos de Estados Unidos, em que, debaixo de uma mesma moeda, forte, existem diferentes Estados Membros (entendam-se Países) a funcionar com sistemas fiscais distintos, podemos ver dois casos de sucesso: Brasil e Estados Unidos da América.
Cada qual tem o seu sistema próprio, mas ambos copiam o mesmo sistema.
E funciona, pois a gestão centralizada da moeda cumpre os seus preceitos de ser o Banco Central do País, da União, a regulamentar as regras Essenciais a serem cumpridas. Depois, localmente, cada Estado (País) aplica as suas regras próprias, de forma autónoma. Mas a gestão passa toda pelo Banco Central.

Claro que nestes dois exemplos citados há uma mais valia: a língua.
Tanto o Brasil como EUA falam, em uníssono, uma só língua, Português e Inglês, respectivamente.
Nós, Europeus, temos a questão de ter 19 países a fazerem uso da moeda única, e 19 línguas completamente distintas. Isso para não falar nas culturas afectas.
Ainda assim, e como de bases edificantes estava a falar, penso que essa deveria ser a estratégia a ser seguida, pensada, e onde muito do dinheiro agora a ser injectado a fundo perdido, poderia, de facto, ser aplicado.
Perceber a forma como, encontrando uma língua Universal – muitos dizem ser o Inglês, apesar do Esperanto ser aquela que foi criada para isso; pode ser a base para fazer do entendimento cultural das Finanças igualitárias na Europa, a solução para todos os Europeus.

Desta forma, alinhavando ideias, deveria ser estabelecido um sistema fiscal base igual para todos os Países da zona Euro. Impostos base comuns, salários base comuns, preços de consumáveis base comuns.
Uma linha de pensamento ‘ideológico’ funcional comum, por forma a dar sentido ao que neste momento, perdido em gastos injustificados, apenas empurra um grande problema para a segregação Social, a discrepância Civil, e claro, o Extremismo como opção de vida para os descontentes.

Renovo a minha sensibilidade amadora de quem apenas fala de experiência de vida adquirida, e não de quem estudou a matéria de forma académica.
Tudo na expectativa de que seja o Exmo. Senhor a ler estes meus pensamentos e ideias, e não um tecnocrata que os vá esconder entre uma pilha de correspondência a ser observada, ponderada, pensada, analisada, e objectivada para ficar sem resposta.

Desde já agradecido,
Um cidadão contribuinte,
Francisco Caetano de Moura Pinheiro

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