Começo pelo inevitável:
Tenho HIV+, faço parte de um grupo de risco, fui colocado em quarentena profilática.
Sim, repito, foi inevitável. Não me alegra pensar que pelo facto de fazer parte ‘deste’ grupo de risco me vejo forçado a 14 dias de Netflix, numa rotina de cama-sala-cama, mas a necessidade de protecção face ao contágio urge estas medidas.

Mas não há que entrar em desespero desenfreado; corridas ao supermercado, papel higiénico ao quilo, litrosas de álcool gel. Isso é o mal que a imprensa nos imprime, o mundo da informação digital e a necessidade que a mesma viva dos likes e sustentação publicitária, nessa artificialidade gratuita que nos apraz, demonstrando como este vírus tem mais de propaganda que propagação.

Atenção, não digo que o COVID-19 não seja de facto contagioso, “feroz” e altamente mortal – estou, inevitavelmente, de quarentena -, mas o pânico e medo que se assistem têm, em grande parte, sido induzidos por essa claque do clickbait em que a imprensa se tornou.
Ela, tal qual vírus, também precisa sobreviver. Custe o que custar.

Creio que agora será o momento ideal para nos lembrarmos do que são Fake News.

Não, uma Fake News não é apenas Trump feito Presidente apontar para a imprensa que não gosta e gritá-lo aos berros.
Isso é arbitrariedade face à uma cobertura desgostosa dos factos que se geram e contradizem. Como a sua conselheira, Kellyanne Conway, melhor descreveu: alternative facts. Factos alternativos que narram uma história que não aquela que assistimos.
É justo nessa alternativa – ou alternância – reside o início dessa mentira que leva às Fake News, notícias falsas.

Compreenda-se. A notícia falsa, boato, rumor, desinformação, é escrito e publicado com o intuito deliberado de enganar e induzir o leitor ao erro, a fim de obter danos financeiros e/ou políticos.
As manchetes são simples e sensacionalista. Textos sumarentos que chamam a atenção:

“A pele negra é resistente ao coronavirus”
“A Comunicação Social escondeu o que sabia sobre o COVID!”
“Unicef: Comer gelados mata o vírus!”
“Vacina Cubana curou 1500 infectados pelo coronavirus”
“URGENTE: Israel descobriu a cura para o coronavirus!”

E têm todas em comum o mesmo. São falsas. Além de ludibriarem com factos plausíveis, usam os factos alternativos para introduzir uma narrativa mentirosa como realidade. E no desespero da esperança, entre o medo e o pânico, a partilha torna-se viral sem necessidade.
Criam expectativas, geram xenofobia, alimentam o racismo latente numa Sociedade a cada dia mais dividida pela imprensa que se faz paga.
E nisto, entre estarmos de quarentena, neste isolamento social imposto, uma geração de ‘covidiots’ cria-se e recria-se a preparar a recessão que está pra vir.

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