Rasurado em doc. Pdf.

Joana Amaral Dias, quem diria, revelou a Caixa de Pandora que muitos tentaram ocultar: a Caixa Geral de Depósitos foi, é e aparenta ser o porta moedas político de uma Assembleia politizada na Arte do engodo populista.
Mas se a arte revelada nessa auditoria que António Costa gosta de encher a boca para dizer ter sido o seu Governo a encomendar à EY – e ao mesmo tempo tentou rasurar para ocultar os seus reais prejuízos ou devedores – a verdade é que uma das maiores e mais antigas fatias vem sob a forma de prelúdio histórico português, nome inovador mas falência garantida: Caravela, Operação Caravela.

caravela

Mas calma, pois para os incautos distraídos, entre a desvalorização que as acções do BCP tiveram e levaram a 100% de prejuízo de muitos dos actuais devedores da CGD, lembre-se: o banco Estatal detinha à época cerca de 9% desse banco. Daí que apontar o dedo com esse escárnio às opções políticas de determinados governantes como se de uma posição pessoal se tratasse, a verdade é que o posicionamento ia de encontro com as escolhas que o Estado fazia em nome do Governo regente.
Só que anos antes, sem que crédito algum fosse concedido a privados, o Banco Público emitiu, através dos seus agentes Internacionais, um investimento de eurobonds com o objectivo de camuflar as perdas no seu balanço face aos elevados níveis da desvalorização da divida pública na década de ’90.

A ruína com a entrada no Euro foi mais que certa e a perda maior ainda. A imparidade oculta revelada agora no relatório da Caixa é de aproximadamente 340 milhões de Euros, numa operação cujos motivos, revela agora a auditoria da EY, “são meramente contabilísticos, com a necessidade de eliminar uma menos valia potencial transitória numa carteira de obrigações de taxa fixa”.
Mas se esta justificação é parca a todos os níveis, que dizer dela – e do valor da sua imparidade – quando se compara com a dívida total acumulada?

Dos 170 empréstimos presentes no relatório agora revelado, as maiores perdas aconteceram em 80 créditos onde o parecer do risco era condicionado à obtenção de condições prévias à sua concessão, condições essas nunca asseguradas antes de qualquer aprovação pelos órgãos de decisão. Desse grupo, os 25 maiores créditos registaram perdas de 769 milhões de Euros, mais de 40% do total. 13 créditos, com parecer contrário, resultaram numa imparidade de 48 milhões, outros 15, sem qualquer tipo de parecer, em 86 milhões e, por fim, 14 operações onde, apesar da avaliação de risco ser favorável, as perdas foram de 238 milhões de euros.
Agora juntamos a imparidade, perdida a 100% (diga-se), das obrigações caravela com mais 340 milhões num bolo que não para de crescer, colocando a questão, púdica – quem sabe –, sobre como se gere um banco público e os interesses que pretende defender?

Onde andam os políticos de ética e moral em riste para se fazerem os detentores da verdade inquestionável sobre a correcta forma de gerir um Banco Público?
Ainda existe essa Direita capitalista Liberal ou a Esquerda intervencionista Estatal quando o interesse se sobrepõe?, ou nesta Caravela afundamos em branda deriva…

Por ora, acto falho, seguimos rasurados em doc. Pdf.

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