certa acusação

O Museu Nacional do Brasil no Rio de Janeiro, ardeu. São 200 anos de História, Memória, Património, legado, consumidos pelas chamas.
O Brasil está de luto. O Mundo mais pobre.
Mas há quem o veja como Justiça.

Justiça histórica sendo feita pelas mãos do acaso. Acaba de ser consumida em chamas a antiga Casa Grande da família que por anos dominou, massacrou, e explorou o povo brasileiro, além de ser notoriamente conivente com a escravização dos negros africanos.
EDIT, aos que não me compreendem:
Tudo o que apague do cenário brasileiro a lembrança daquele período nefasto (assim como de outros) é um alívio para mim e certamente para todos cujo sofrimento atual é uma herança daquela época.
Robson Lucas de Oliveira

Museu Nacional.png
Escrever mais um editorial em busca da acusação certa sobre quem recai a culpa do abandono cultural brasileiro é fugir a uma responsabilidade histórica onde o Brasil Democrático não encontra ecos maiores que a corrupção que o engole e define.

Quando a ingerência num Povo, cuja cultura actual se constrói sobre a História (ainda que maculada pela cronologia que aqui nos trouxe) definida pelas sucessivas camadas civilizacionais que a constitui, logra produzir a supra citação, questiona-se onde anda a Pátria Educadora da abundância e apanágio de estômago cheio para o voto dos humildes? Como pôde uma Democracia se degradar ao ponto da mentira ser a base edificante da retórica que alimenta o discurso histórico?
Três décadas não foram suficientes para o Brasil amadurecer e discernir o facto da facção, a ética da dialética, o certo do acerto.
Quem sabe seja essa a razão pela qual o último Presidente a visitar o Museu Nacional tenha sido Juscelino Kubitschek em 1958.
Sessenta anos depois o Presidente Temer limita-se a uma nota de pesar.

Só que dar resposta à ignorância, ilumina-a. À ingerência política, alimenta-a.
Mas o facto aqui não é a facção. Nem a ética do bom costume uma contradição de ideias contrapostas. Já o acerto é algo que fica sempre certo num país que procura a culpa e foge da responsabilidade. (a tragédia era previsível)
A herança daquela época persiste até hoje, instituída em todos quantos apenas veem numa certa acusação a sua justificação pessoal para olhar mais adiante.
E nisso, no que ardeu, a nossa cegueira ideológica.

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