10 de Junho, Pedrogão e a Ética política

Não sei se o meu período de nojo lírico já terminou, mas outros valores se levantam e o silêncio não pode permanecer face a temas cuja a importância se torna maior quando em pleno dia de Portugal se pede a expiação ao invés da busca por um futuro melhor.

Regresso uma semana atrás e escrevo sobre o tweet viral da coordenadora do Bloco de Esquerda pedindo o reconhecimento da “enorme violência da expansão portuguesa, a nossa história esclavagista, a responsabilidade no tráfico transatlântico de escravos.”
Catarina Martins remata com “até podia ser num #10deJunho. Mas não foi hoje.”

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Compreenda-se, nada do que ela diz é em prática uma mentira, mas tem graça o seu discurso político ser de uma moralidade e superioridade intelectuais quando o seu partido não a pratica, nomeadamente ao apoiar partidos e Regimes políticos que praticam violências de igual caracter por expansionismo ideológico.

Mas há facto e mentiras. Os crimes foram a seu tempo reconhecidos, ainda que o seu legado tenha permanecido.
Farei um pensamento simples – simplista até -, porque caso Portugal não tivesse reconhecido a sua responsabilidade presente não teria abolido a Escravatura, tendo sido um dos pioneiros nesse campo. Digamos que a consciência iluminista teria um peso na consciência, ainda assim a questão foi abordada com a necessária firmeza.

E, veja-se, pedir reconhecimento pelo passado praticando no presente algo cuja Ética Republicana condena vale muito pouco, pois não é pela perpétua expiação que se absolvem crimes cometido num passado remoto.
Mas nisso Catarina Martins é mestre.

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Faz hoje um ano dos incêndios de Pedrogão, a tragédia que mais vidas ceifou em Portugal contemporâneo, e o panorama nacional não passa de um in memoriam televisivo onde dói compreender o quanto o interior está abandonado e a narrativa política é só mais do mesmo.
Basta lembrar que a coordenadora do Bloco anos atrás culpava o Governo de Direita sobre semelhantes incêndios para quando está aninhada no poder tweetar um “que venha a chuva, bom dia”, representativo desta visão do ‘faz o que te digo, não faças o que faço’.

Mas a natureza Humana é volátil e a Ética é um princípio maleável segundo o padrão que sintamos ser a nossa honestidade.
É Catarina Martins honesta?
Pessoalmente nem questiono, politicamente falando entra na retórica dos políticos cuja Ética se diz inquestionável mas deixa muito a questionar.

Acompanhando a sua verborreia ideológica, apenas me lembro do Rei Juan Carlos para o Presidente Hugo Chavez: “Por qué no te callas?”
É que o silêncio é de ouro.

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