opinião publicada (ou o que publicamos de nós)

Não sei se o mundo vive sob o efeito placebo de tomar Adderall ou, na euforia de o tomar, partir dessa premissa que tudo é mesmo fácil quando não o é.
Facto que eu vivo clinicamente equilibrado com anti-depressivos multi-marca e cheguei a tomar Concerta, sucedâneo da pastilha da moda Ritalina, mas sei distinguir o facto do alternativo, a opinião pública da publicada, e nesta instância, da que publico.

Falar não é o mesmo que articular a palavra escrita e assim sendo, na escrita exposta o controlo se assume maior.
Gostar-se-ia que no mundo do registro digital, da foto incessante, esse controlo amador fosse tanto como escrito, mas todos sabemos que nem num nem no outro o controlo generalizado se faz presente.

A maioria escreve justo o que pensa, como fala, uma foto daquilo que, em génese, são, e esse é o risco que nos trouxe Trump pela mão de coletores de dados como a Cambridge Analytica quando posta em uso contra a Democracia instituída.
E o mal que nisso existe não reside apenas nesse facto, concreto, que pertenceria a quem supostamente deveria por nós resguardar, mas em toda uma cadeia de comando que falha no momento em que nos queremos exibir pela projecção que desejamos e não aquela que somos.

O acto transigente de Zuckerberg se manter calado perante o escândalo instituído de algo que, segundo consta, faz mais de dois anos sabia, é algo que reflecte mais o seu carácter quando tirou proveito de vender parte do seu capital por forma a lucrar com a própria desgraça da empresa que resolvê-lo a dar a cara a uma mácula pessoal.
Na verdade tudo em Mark vive mais da opinião positiva que o relativismo contrário.

ZuckerbergDataDrive.gif

A roupa igualitária em tom proletário não passa de uma cifra de facilitismo que o afaste de se focar do lucro incessante.
Mas ele cessa.
Cessa tanto quanto o efeito continuado a tomar estimulantes para dar uma energia que não temos naturalmente.

Parece que agora a verdade vem à tona, e o real problema da manipulação não é a opinião publicado, os artigos que terceiros escutem, mas antes essa leitura estudada que de nós fizeram num apanhado daquilo que escolhemos mostrar como a real opinião publicado do que somos.
Isso, vendido a crédito fácil, pago a sustentar o Facebook, o Kremlin, a Casa Branca de Trump e afins, é o sinal de que a Democracia não falha, falhamos nós na nossa natureza de pensarmos como o outro, nunca como nós próprios.

Uns chamam-lhe ganância, aqui em Portugal diz-se inveja.
“the grass is always greener on the other side”

O capitalismo é virtude Ocidental do final do milénio. Hoje em dia quem é multimilionário doa logo >50% da sua fortuna em prol dos necessitados, caridade ou em benesse do planeta.
Ser rico quando a maioria qualificada ganha o equivalente a quem antes eram os explorados dos regimes autoritários? Não, imagem é tudo. Selfie oportunista e de ocasião. A tal indumentária acima descrita, dai vivermos pastilhados para, ao ganhar menos, produzir mais.
O mal, se é que mal nisto existe, é que a teia é ampla e larga de mais.
#delefacebook? Too late. A esta hora já todos trabalhamos pra ele e nem nos apercebemos.

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