A inocência dos culpados

Lula foi, como uma larga maioria política esperava, condenado em segunda instância. Mais do que isso, a confirmação da pena trouxe a si o aumento da mesma de 9 anos e seis meses para 12 anos e um mês.
Não há inocência, só culpa.
Ou quem sabe não.

O ex-Presidente pode até não ser culpado na questão que envolve o triplex do Guarujá, é antes o Líder da Quadrilha – que sempre existiu na classe política Brasileira –  que encontrou o fundamento para agir numa lavagem a jato onde o Mensalão permitiu a institucionalização do Caixa Dois como modus operandi. A verdade é que com o PT dos Sindicatos e a retórica dos pobres do Bolsa Família o aparelhamento do poder subsistiu para desmantelar um país Imperial.

Mas o júbilo que a jurisdição revista para se encaixar no que um apartamento triplex não tem de posse mas hipotético empréstimo indeterminado torna-se agora numa corrida sobre a legalidade abrangente sobre o que a legalidade em prender julgados que recorrem sobre casos que, ainda, os julgam.

Logo que Lula o condenado em 2º instância, palanque estilingue de arremesso palavroso, indicou que iria de visita à Etiópia, um juiz da 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal lhe caça o passaporte e impede a sua saída do país, não fosse o preponente (agora já) candidato fugir da pena criminal que o aguarda.
Só que a questão pertinente coloca-se noutra esfera.

Desde 2016 que é possível iniciar o cumprimento de pena após a condenação em segunda instância,  um voto ganho em favor daqueles que consideram que a inocência dos culpados não existe, e eles devem, desde logo, pagar pelos seus crimes.
Mas a repercussão dos factos não é perene e a verdade é sempre mais complexa quando se trata de um alto dignatário que esteve à frente do poder por dois mandatos.

O Ministro Marco Aurélio Mello, único voto vencido em 2016, pediu à presidente do Tribunal, Ministra Cármen Lúcia, que se volte a discutir a suspensão da execução de dita pena, facto que pressionou a balança para um hipotético desempate nas suas mãos.
Segundo o Ministro, “no pico de uma crise, um ato deste (prender Lula) poderá incendiar o País”, razão pela qual a alteração à Lei faz mais que sentido, é razão lógica numa Democracia que acredita na presunção da inocência.

Mas o Brasil nunca foi uma Democracia no estrito sentido da palavra. Nem nunca pode ser.
A culpa de Lula prende-se com a dimensão do seu país, da sua economia, ambição do seu líder.
O Brasil de Lula é autocrático, em serviço de uma ideia: o poder do povo que serve o líder que dá ao povo; repetição obsessiva.

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O discurso do palanque, o tal palavroso, era isso mesmo, o horror da classe média em ver a classe operária, pobre, se tornar capitalista. Mas não é o PT anticapitalista na sua génese de poder? Ou isso é só o verdadeiro golpe que se institui enquanto se alça culpa à Rede Globo como se o poder da família Marinho fosse a manipulação da realidade de um quotidiano construído por telenovelas que não espelham, nem nunca espelharam, a realidade brasileira.

Lula procura a culpa para ser inocente. Esse é o seu discurso. A vítima.
E com a sagacidade, e inoperância da jurisdição que tudo lhe vai permitir na ilusão da democracia Tropicaliente que há, irá impor a verdadeira tomada ao poder.

Irá preso, detido com a humilhação possível, em tom politizado rumo à primeira votação Presidencial. Enquanto os Bolsomitos celebram o acto, manifestações gravosas na Av. Paulista, panelaços por todo o país, um novo candidato da ‘nova’ Esquerda Unida Brasileira é proposto.
Uma nova versão de Dilma surgirá em pano de fundo para amnistiar Lula do crime político que a justiça lhe designou. Findo o primeiro ano do Presidente incógnito, ex-Presidente Lula regressa como o preso político em modo regeneração.
Ao segundo ano da Presidência incógnita um novo Ministro Civil, Luiz Inácio regressa ao Planalto.
O resto escreve-se por si só. A Autocracia transforma-se no modo de vida Brasileiro.

Os inocentes são mesmo culpados.

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