Sanha

Grândola, vila morena
– Morena? Mas que é isto tão descriminatório? Que preconceito racial! Racial não que a noção de Raça morreu quando o dia da mesma se fez de Portugal. Agora existem Etnias. Todos diferentes, Todos iguais, seja lá o que isso for…

Terra da fraternidade
– Fraternidade? A sério Zeca? Depois da Le Pen ter chance de se eleger, tu que fizeste a senha da Liberdade que a Esquerda tentou impor como sanha libertária, achas que existe fraternidade?

O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

– Ah, menos mal, é só em Grândola, nada que ver com o novo Marcelo e o seu discuso sobre o povo que o elegeu e as marchas militares do ano passado a lembrar os tempos do antigamente…

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

– A sério, estás-te a repetir, dá mote a algo mais comunista; desculpa, comunitário. Comunitário!

Vila Morena.jpg

Em cada esquina, um amigo
Em cada rosto, igualdade

– Atenção às esquinas que isso de amizades e igualdade, já se sabe. Não é à toa que o Camões só via de um olho mas ainda assim viu bem que a inveja era o maior mal desta Terra.

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

– E a Liberdade? Sim, se isto fosse em Lisboa e puxasse para o Fado, diria para não seres Francesa, tu és Portuguesa não és de ninguém… (Macron, Macron, Macron)

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto, igualdade
O povo é quem mais ordena

– Acho que foram os militares que mais ordenaram naquela noite. E vendo bem as coisas até ao 28 de Novembro do ano seguinte, diria que o lado mais vermelho da coisa.

À sombra duma azinheira
– Não terá sido um chaparro, um sobreiro? Isso sim, coisas que envolvem escândalo e proibição de abate!

Que já não sabia a idade
– Ora, 2017 menos 1974…

Jurei ter por companheira
Grândola, a tua vontade

– Não sei se a vontade de Grândola se concretizou – o rumo Europeu parece negar essa pretensão Portuguesa – mas o facto é que a Vila tem vindo a diminuir a sua taxa de natalidade, sendo que a Liberdade que vivia dentro de portas deve ter tido o mesmo efeito que os Cubanos têm quando fogem para Miami!

Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade

– A idade não sei, mas faz hoje 43 anos que esta música soou como aviso para o regime – e bem – ser derrubado. O que se lhe seguiu, nesse nesse ano e meio que passou, é a mácula de muito que hoje explica o rumo de um país contente com o resultado de algo que, a não se explicar, existe por si só nesta deriva dos brandos costumes que, tal como a azinheira, sem saber bem a sua idade, ali está para nos fazer companhia até uma próxima Revolução, quem sabe desta feita, onde a palavra Liberdade não seja censurada.

Nota:

“Grândola, Vila Morena”‘ é uma canção composta e cantada por Zeca Afonso que foi escolhida pelo Movimento das Forças Armadas (MFA) para ser a segunda senha de sinalização da Revolução dos Cravos. José Afonso escreveu a primeira versão do poema “Grândola Vila Morena” após ter sido convidado a participar nos festejos do 52º Aniversário da coletividade Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense (SMFOG) em 17 maio de 1964 e ter ficado impressionado com o ambiente fraterno e solidário desta Sociedade alentejana. À meia noite e vinte minutos do dia 25 de Abril de 1974, a canção foi transmitida pelo programa independente Limite através da Rádio Renascença como sinal para confirmar o início da revolução. Também por esse motivo, transformou-se em símbolo da revolução, assim como do início da democracia em Portugal.
Wikipedia

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