Aleppo e os faróis da Humanidade

Vou começar por dizer o óbvio: somos todos hipócritas, eu incluído.

Aleppo é um problema Humanitário desde meados de 2012 quando a Guerra Civil Síria, aproveitando a Batalha de Damasco, tomou a cidade. Evidente que a disputa sobre quem ajudar num eixo político envolto em sucessivas Primaveras Árabes tornaram o enredo mais que complicado, complexo, onde o surgimento do Estado Islâmico em nada ajudou.
Com a Rússia metida à confusão sobre o apoio a Bashar al-Assad na repressão que gerou dita guerra, tudo se tem vindo a complicar no oportunismo para derrotar a invasão terrorista que assola o mundo.

Os faróis da Humanidade, as nossas portentosas Democracias da Liberdade, ora focadas no lado mercantil, ora na ajuda piedosa, piscam o olho ao oportunismo ou à teoria da conspiração em busca da saída para um problema que é tão deles como nosso.

Aleppo existe e não é uma mera ficção jornalística do acrílico matinal noticioso.
Muito menos uma ideia do bom selvagem sem acesso a tecnologia ou cultura de proximidade.
Há que ressaltar que esta é a maior e uma das mais antigas cidades Sírias, numa área total de 18 482 quilómetros quadrados e que abrange uma população de mais de 5 315 000 habitantes (estimativa de 2008), reduzida agora a cerca de 1 600 000. Não é uma mera miragem de edifícios destruídos e de alguns sobreviventes nos interstícios destruídos por bombas.
É facto que a destruição e paisagem desumanizada reflectem a etimologia do seu nome, Halaba, “branco” em aramaico, podendo referir-se à cor do solo e do mármore abundante no local, mas não, mostram apenas em como o seu historial e presença remontam ao ano 5.000 a.C..

Lembro que Lisboa, a cidade branca de Alain Tanner, a principal cidade e capital Portuguesa, tem 547 733 habitantes na sua área administrativa e 2 821 697 pessoas no seu perímetro urbano alargado.

Aleppo.jpg

Vale Aleppo mais do que Palmira?
É uma mais relevante porque nela se concentram a nu edifícios notáveis onde ninguém os habita ou porque na outra a presença Humana faz parte do quotidiano citadino onde a preservação é agora um escombro?
Se a salvação Humana é a norma face à cultura, que se resgate o bom selvagem – em alusão ao que muitos chamam de teoria de conspiração sobre a falta de água e luz e haver quem se comunique por iPhones e similares – e deixe que a cultura se renova na memória de algo bom que o futuro possa trazer.

Sobre a nossa hipocrisia acerca de Aleppo? Que não se fique por textos de opinião (como este) ou cliques em páginas a pedir a salvação daqueles que supomos diferentes, como se isso não os fizesse tão iguais a nós.

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