Escatológico

Eu li o livro proibido de José António Saraiva.
Assumo-o. Fi-lo, não só porque qui-lo mas porque para se poder alicerçar uma crítica de valor – seja ela qual for – há que ler, sem abreviações, a obra proposta.
Sem surpresas, dado o nome da crônica, o livro é escatológico.

Não escolhi o nome da crônica arbitrariamente. Lembrei-me de diversas conversas que tive (e tenho tido) com um grande amigo pessoal, o jornalista Mário Crespo.

Escatologia, ao contrário da crença popular não é falar de uma cloaca máxima Romana ou de algo que se mandou sanita abaixo.
Definido (do grego antigo εσχατος, “último”, mais o sufixo -logia) de forma forma lata, é uma parte da teologia e filosofia que trata dos últimos eventos na história do mundo ou do destino final do gênero humano, comummente denominado como fim do mundo. Em muitas religiões, o fim do mundo é um evento futuro profetizado no texto sagrado ou no folclore. De forma ampla, escatologia costuma relacionar-se com conceitos tais como Messias ou Era Messiânica, a pós-vida, e a alma.

Vide facto, o livro proibido não é, em todo, isto.
Relativizando a sua importância, ele é, na analogia máxima da mórbida curiosidade acerca da vida íntima dos que nos parecem públicos, uma transigência para compreender como eles são tão semelhantes a nós.
Mas o autor pretende, como antevê – antes e depois – não expor algo que deixa mais escancarado como pecado de uma inocência prescrita.

Cloaca Maxima.jpg

Dito isto, fazendo um juízo de valor moral sobre a figura de José António Saraiva, ele revela a sua integral maldade de um lobo em vestes de cordeiro, apto agora a morder as mãos que nos últimos anos o alimentaram.

E porquê agora?

Porquê um homem, de uma escrita contraditória mas capaz, revelar-se ao longo de um livro pornográfico e intromissivo, alguém consciente de tal acto?
Simplesmente porque a sua premissa, descrita pelo próprio no seu último – e porventura últimoartigo de opinião no Jornal Sol o contraditam na certeza da sua verdade.

Se não fosse pela adversidade contraditar a realidade, tudo não teria funcionado nessa escatologia real e o fim do Sol não resultaria nesse opúsculo que vai, por fim, silenciar tão nefasta figura da Sociedade portuguesa. A força de uma ideia não funciona por força, mas sim porque nela existe qualidade.
Inqualificáveis assim, como o próprio livro atesta, não merecem um lugar ao Sol.

Nota:
Aguardo por dia 26 de Setembro de 2016 para fazer uma adenda ao texto com a introdução ao livro por parte de Pedro Passos Coelho. Não pretendo, por ora, fazer de um factoide, facto político. Aguardo pois.
Sobre Mário Crespo, já que o mesmo trabalhou no jornal Sol, embora meu amigo, deixarei para um texto póstumo do jornal, análise critica sobre o tema.

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