The UKIPpers

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Tal qual marmoto de leviandade política as ondas de choque pela demissão de Nigel Farage do seu UKIP surgem como reflexo inverso contra quem declarou o Dia da Independência desse Reino tão unido que agora afunda em múltiplos prejuízos pelo desastre Europeu de um divórcio que nem em vias de separação prévia chegou a ser conversado.
Estranho as ondas de choque como se os 17 anos de ponto único e temática populista de Nigel tenham enganado tantos ao longo de tanto tempo.
Mais, como é que no último ano ninguém viu o que no horizonte se desenhava com laivos de ignorância, racismo e xenofobia declarada, sobretudo dentro daquele que é considerado um dos países mais multiculturais da União Europeia.

Para quem não assistiu ao curto e brilhante documentário ‘Meet the Ukippers’ que a BBC produziu em finais de 2014 e foi ao ar a 22 de fevereiro de 2015 não compreende justo como o UKIP, o partido pela Independência do Reino Unido, nada mais tinha que um plano único sem política ou ideologia que não fosse a de decretar o fim da ligação Britânica a União Europeia.
A equipa de filmagens da BBC seguiu durante seis meses as actividades do partido em South Thanet, uma constituição em Kent, no sudeste Inglês, que havia escolhido Nigel Farage para disputar as eleições ao Parlamento Britânico. Se o objectivo era demonstrar a mensagem Nacionalista pela Independência do Reino Unido, aquilo que surge, com toda a clareza, como se um reality-show se tratasse,

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Além dos membros partidários locais terem um passado duvidoso e questionável – surgem críticas acerca de um deles ter apoiado a causa Nacionalista -, a ignorância é o alicerce que une um grupo de pessoas que, vistas de fora até representam uma pseudo respeitabilidade mas, são tão preconceituosas sem sequer o perceberem.
A dada altura a directora de comunicações e o seu marido, escolhido para ser o representante local a um cargo regional na Câmara parlamentar, recebem uma das comissárias locais, Rozanne Duncan, a divulgar a palavra do partido na zona. Ela nada mais faz que declarar o seu repúdio – sem saber por quê –  aos “negros”, invocando que os mesmos têm um face que a incomoda. Como tudo fora gravado a importância do tema chega à comunicação social.

Farage considera que a exposição está a destroçar o partido e tem que ser revista. As demissões ocorrem e o documentário tem o seu fim.

O episódio único teve a segunda maior audiência que o canal BBC2 alguma vez teve: 1.42 milhão de telespectadores com uma média de 8.5% de share.
Quem sabe, e apesar do sucesso, foram poucos os que tomaram conhecimento da base popular que formava o UKIP.
Se mais o soubessem não se assistiria a um Brexit reformulado de Regrexit.

Estranhar que Farage não tenha carácter é o mesmo que desconhecer a consciência cumulativa das pessoas. Descartam o preconceito pelo seu entorno de vivência como se a culpa dos seus actos se diluísse na generalidade responsável pelo que o individuo tivesse feito. Pior, chamam-lhe efeito cultural como se a saída do Reino Unido da União Europeia fosse um simples chá das cinco, acto sem consequência adversa.
UKIP? UKIP It!

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