La Democracia IKEA

Que pelos Reinos de Castilha e Leon a coisa se complica face a uma União Europeia prestes a ver referendado um Brexit onde os referendos dão vitória à saída desse reino Unido com vontades separatistas internas, a verdade é que a sua política de unidade Nacional pretende reinventar-se aos olhos de uma Geringonça Lusa.
Se por cá o apelido ganhou fama por ser coisa malfeita ou construção com pouca solidez, por lá pretende-se fazer essa formatação da escolha política através da montagem de uma engrenagem complexa sob a forma de um catálogo.
Sim, o Podemos apresenta o seu programa político num catálogo ao estilo IKEA.

Bienvenidos a la Democracia IKEA.

Quando nas últimas eleições legislativas Espanholas, a 20 de Dezembro de 2015, os partidos tradicionais não logram formar Governo sem maioria absoluta face aos novatos partidos imergentes, a situação resultante foi em tudo igual ao que meses antes se havia passado em Terras Portuguesas.
Enquanto o Partido Popular de Mariano Rajoy fora o vencedor das eleições com a maioria simples de 28,71% dos votos, não conseguiu formar Governo com a sua oposição. Nem o PSOE de Pedro Sánchez, com 22,01%, nem os novatos Podemos de Pablo Iglésis, com 12,69%, e Ciudadanos de Albert Rivera, com 13,94%, quiseram se unir para formar Governo.
Tudo indicaria que se formaria a dita Jerigonza Espanhola e o problema veria uma solução à Lusitana, mas os diferendos político-ideológicos, nomeadamente os contrastes pelo poder individual, tomaram conta nos meses seguintes por quem seria então o líder de um suposto Governo Espanhol.

Caída a máscara da ambição pessoal de cada político, misturados os casos de corrupção que tocam todos os partidos, o Rei Filipe VI volta a marcar eleições.
26 de junho, ou 26J como acrónimo para a data escolhida, marcam o dia em que se irá compreender para que lado a nova concepção política Espanhola pende.

Paradoxo net

Enquanto em Portugal a Esquerda foi sagaz o suficiente para se unir ao Partido Socialista na sua minoria simples, dando-lhe apoio escrito para viabilizar um Governo de suporte maioritário no Parlamento, em Espanha aquilo que se desenha pelas sondagens é algo mais complexo mas ao mesmo tempo mais honesto.
Se aqui os Partidos de Esquerda, o PCP, os Verdes e o Bloco de Esquerda, têm sempre a justificação de apenas terem dado suporte governativo ao Partido Socialista e não terem feito parte do seu Executivo, em Espanha prepara-se a formação de um Governo formado por diferentes partidos onde, mesmo que as ideologias não se cruzem, todos façam parte, literalmente, do executivo funcional.

As sondagens dão vitória simples ao Partido Popular.
Segue-se a união do Podemos com a Izquierda Unida, naquele que agora se chama Unidos Podemos.
Por último, com aparente poder de decisão – com a maior derrota de sempre – o PSOE.

A inversão de votos foi total, mas não só isso, a inversão de valores também.
Ao que tudo indica seguir-se-à nova tentativa de união das Esquerdas, uma Jerigonza Hispana.

Paradoxo.jpg

Pablo une-se a Garzón e a sua democracia de catalogo IKEA transforma-se numa jogada tão extemporânea que o próprio, unindo duas ideologias tão próximas e tão distantes, consegue apelidá-las como la nueva Socialdemocracia num piscar de olhos ao PSOE.

Ao ter perdido o posto de Vice-Primeiro Ministro que se auto-intitulou ao lado de Sánchez, Pablo Iglésias pretende granjear os votos descontentes socialistas com esse paradoxo de opinião “Karl Marx y Friedrich Engels “eran socialdemócratas”‘.

Mas a sua verdade não estará tão distante da realidade que pretendem demonstrar nesse catálogo sintomático dessa Democracia que agora vendem.
Basta concretizar que a base ideológica de Esquerda, quer de Marx ou Engels, unidos ou separados, tem vindo demonstrar-se falhar sempre.
A União Soviética desmantelou-se por ela própria e vive de um capitalismo selvagem. África criou os piores déspotas que assumiram a ideologia como hierarquia sanguinária. A Coreia do Norte idem.
A China vive no mundo capitalista em sintonia com a sua República Popular há décadas. O bastião Cubano une-se ao mundo democrático e rápido abrirá as suas portas ao capitalismo saudável. 

A Iglésias sobrou a Venezuela e seus amigos Sul Americanos. Dizem que há golpes orquestrados pelos Norte Americanos. Eu digo que há fome e ingerência Ditatorial.
Agora vem o líder populista propor a sua Democracia em kit, apelidando-a de social democrata quando nela não existe o espectro completo da livre concorrência.

É que a Democracia IKEA traz esse factor tão apelativo ao olhar, simpático ao bolso, mas que acaba por destruir toda a concorrência com um sorriso nos lábios.
Há uma comodidade em se escolher num catálogo que apresenta o produto montado, num espaço atraente, texto simples, preço certo e sem truques.
Claro que há o facto de se ter que ir à loja, comprar o produto, transportá-lo, montá-lo e no final nunca conseguir o prefeito resultado igual ao do catálogo.
Mais, produtos em kit são pensados, na sua maioria, para não serem montados e desmontados muitas vezes. Nem isso, nem o seu tempo de vida ser muito longo.
O objectivo é mesmo o consumo, imediato de preferência.

Afinal que pretende uma Jerigonza Hispana?

Diante das mais recentes declarações contraditórias de um líder que antes defendeu a causa Bolivariana como se isso fosse a salvação para uma Espanha em crise, penso que se trate de mais um ardil populista para chegar ao poder, tal como ocorreu em Portugal, mas garantindo aí que os seus coligados façam parte do executivo. Antes disse que isso é mais honesto, verdade, mas o princípio ideológico que sustenta a base partidária não.
Se em Portugal o Governo subsiste dentro hemiciclo, nas votações que unem partidos da situação e oposição, em Espanha, caso se forme uma geringonça local com um executivo multipartidário, parece-me mais complicado haver uma sintonia harmoniosa para uma governação a longo prazo.
Não que queira parecer um conservador dos sete costados, mas pela estabilidade Espanhola – e porque lá vivi por dois anos – parece-me mais correcto que o PSOE assine um acordo formal com o PP, mesmo mantendo-se fora do executivo, para viabilizar um Governo.

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