teologia do pau oco madeirense

Da região autónoma da Madeira, “Das ilhas, as mais belas e livres”, da ilha que viu nascer aquele que mais tempo ocupou a sede política do poder nacional, surgem agora os sinais de 13 mil 548 dias de governação.
Na verdade os primeiros sinais explícitos de que algo de errado se passava na Quinta da Vigia ocorreram 1327 dias antes em Setembro de 2011 quando foi divulgado que desde 2008 o Governo Regional da Madeira tinha ocultado do registo oficial parte da dívida pública da Madeira.
Alberto João Jardim não era o Santo que todos supunham.

A teologia – “theos” deus + “logia” estudo – insular é uma realidade que se desenvolve na necessidade de crença acessória adquirida pela imposição de uma distância limitada e exiguidade espacial em confronto com a barreira física circundante. Quanto mais o mundo se auto delimita mais evasão espiritual se procura. Se os Santos de espírito não se fazem reais, os terrenos se buscam para concretizar os anseios materiais.

Aqui entra o benemérito Alberto, aquele que recém empossado, discursando sobre a posse tomada, profere a sua condenação condecorada que o irá re-eleger 46 vezes consecutivas: “a Madeira será o que os madeirenses quiserem”. E a Madeira foi. Tornou-se tão oca quanto o Santo que Jardim é.

alberto joão jardim.jpg

São tuneis, viadutos, escavações, pórticos, mais e mais construções num sem número de expropriações, nunca pagas, aplaudidas pelo povo que agora se sente espoliado e enganado por esse que durante tantos anos foi o seu político adorado.

Mas a que custo se destruiu uma ilha para se tornar a reconstruir segundo os desejos designados desses alguém que, a não cumprir o que os madeirenses quiseram, fez aquilo que bem lhe apeteceu e quis? Se a expropriação sem indemnização de 55 mil madeirensescerca de 1/5 da população da ilha – graceja o absurdo da indignidade em prol de algo injustificado, que dizer da expropriação dos terrenos da Maturque incluiu a implosão do Hotel Atlantis Madeira, assim como a destruição de inúmeros postos de trabalho – para a construção do prolongamento da pista do aeroporto em 2000, que permaneceu mais de uma década sem a constituição de uma servidão aeronáutica, e até hoje, mais de 16 anos depois, se encontram num imbróglio jurídico sem ter sido paga a sua devida indemnização?

Não será de se estranhar o tempo oportuno que os processo demoram nos Tribunais Madeirenses? Ou eles servem os interesses de quem vale a pena rezar nesse instante?
Os comuns mortais começam a ficar agnósticos, senão ateus, fartos das injustiças cometidas em seu nome, por esses Santos ocos que se preenchem indevidamente daquilo que o erário público lhe possibilita. E a Quinta da Vigia ser o novo Tarrafal.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s