Quente ou Frio

Há uma teoria empírica que diz existirem ciclos culturais quentes e frios.
A Sociedade que existe por repetição nessa sua ligação com a Natureza que provém e a sua evolução é lenta e constante: a Civilização Fria;
E a Sociedade que vive no confronto de ideias, problemas, guerras, espaços e fronteiras, onde a adaptação é sinónimo de rápida evolução: a Civilização Quente.
Entre elas há, seguramente, alguma Civilização mista, decorrente do que é óbvio em toda a Natureza Humana.

Se como exemplo pragmático se pode dizer que o Império Egípcio, o mais longo de que há registo, é uma Civilização Fria, crescendo continua e lentamente nas margens desse ciclo de repetição que é o Nilo, a sua oposição Quente pode ser o Império Romano, feito do crescimento rápido e imediato que se travou em poucos séculos no Continente Europeu.

Se a evolução Egípcia é estonteante e numa escala sem paralelo de dimensão, o tempo que a levou a progredir é ele também ‘eterno’ quando sobreposto aos avanços que a Civilização Romana teve num curto espaço de tempo comparativo.
A adaptabilidade é a alma da sobrevivência na História Humana. Em consonância a Natureza é ela também a razão do juro de mora nessa evolução.

E aqui se chega a pronuncio da evolução: a economia.
A economia é a maior abstracção em que se vive. Desde o escambo à troca comercial de bens perecíveis para o sustento comunitário até ao papel como reserva de valor real de uma matéria-prima rara, a história do dinheiro conheceu diferentes fases até chegar aos dias de hoje.
Se nos primórdios a troca era pela sobrevivência Humana relativa ao alimento que permitia a continuidade, a ganância do reflexo e obtenção do lucro levaram a que a Sociedade Fria se tornasse muito Quente.

Se a teoria que a democracia não funciona, ou de alguma forma não tem funcionado na Sociedade contemporânea, interligando a situação económica com essa ganância de alguns – os que governam os muitos, a sua razão de raiz histórica tem muito que ver com a lógica antropológica civilizacional quente e fria.

Numa crua análise contemporânea parece que as civilizações frias, as que têm uma mais lenta evolução que, apesar de constante, não se adaptam tanto as circunstâncias deste cambiante mundo da volátil economia quente, são os grandes países emergentes, os BRICS em oposição às pujantes sociedades do consumo imediato.

A estratégia de aproximar as Sociedades que vivem de um rendimento baseado nos sectores primários nem sempre coincide com a versão Ocidental que envolve esse esforço económico.
Muito se tem perdido no plano político ideológico do capitalismo pelo delapidar de recursos em detrimento do que é considerado evolução Humana.

Olhando para os BRICS, Brasil, Rússia, Índia e China (a África do Sul só foi adicionada posteriormente), todos têm em comum viverem primariamente desse ciclo que a Natureza providencia e o Homem toma parte. Ainda assim na maior parte deles os índices de desigualdade social – incluindo acesso a bens alimentares – são assustadores e a corrupção acaba por favorecer líderes opressivos em contexto político globalizante que os próprios povos que governam.

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E aqui se regressa ao empirismo inicial. Se o mundo actual, onde já não é a o ciclo natural que providencia para saciar a fome existente mas algo que se tornou mais, maior e melhor, porque existem ainda carências alimentares pelo Mundo?
A resposta quase poderia invocar o pedido de uma Miss pela Paz Mundial, mas na verdade é mais complexa. A estatização propositada, muitas vezes promovida pelos interesses Ocidentais em manter preços relativamente baixos no comércio vindo dos países emergentes, fazem com que as infraestruturas necessárias nesses países não existam ou estejam debilitadas.

O objectivo macro-económico mundial nunca foi sermos iguais, mas parecermos.
E essa é uma diferença tão grande quanto estar quente ou frio.
Ser imediato ou ter todo o tempo do mundo.
Porque por agora estamos mornos…

Nota:
Há que ter em conta a perspectiva antropológica da crise ecológica e civilizacional que se vive também, onde os câmbios climáticos evoluem para radicalizar essa mudança a que se assiste, alterando a forma como se racionaliza (ou não) as plantações e colheitas como sustentação da Terra.
Vivemos com a Terra, não apenas da Terra.

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