a efectividade da recompensa

O Mundo actual assiste a uma nítida inversão nos valores de recompensa pela extracção e elaboração da matéria prima.
Se por um lado a obtenção de recursos naturais se tornou num bem transacionável a custo quase zero, explorando as franjas de uma Sociedade que se oferece a baixo rendimento, a elaboração para transformação da mesma seguiu o seu curso na competitividade para baixar o seu lucro e tentar tornar a Sociedade, num todo, mais igualitária embora mais injusta.

Este facto não é novidade. Desde meados do século XX, logo após o baby boom da Segunda Guerra Mundial que se assiste a esta fixa necessidade de permanente crescimento económico como forma e fonte de sustentação económica e Social.
Claro que à época essa falácia era uma verdade exequível. A Europa, sobretudo as suas zonas industrializadas, estavam completamente destruídas e o investimento a fundo perdido era a necessidade. justo a necessidade que levou aos tão debatidos perdões de dívidas soberanas que se discutem hoje em dia sobre empréstimos prestados pelo FMI aos Países em dificuldades económicas.

Ainda assim crescer 3% ao ano era tão natural como expectável. Crescer era mesmo a única solução. Só que o custo desse crescimento teve ele próprio um custo.
O Mundo não era apenas o reduto Europeu ou a dicotomia que uma Guerra Fria fazia crer.
A Globalização que os muros derrubaram trouxe a Liberalização de mercado e permitiu a livre concorrência, e essa a competitividade entre países onde o crescimento não assenta em princípios democráticos de igualdade ou sequer justiça.

Os 3% ao anos começaram a desmoronar-se numa idílica falsificação de dívida acumulada não declarada.

A pujança do fim do milénio fazia crer na imortalidade ao mesmo tempo que trazia consigo o medo da viragem. Portugal foi fruto disso, nesse seu entrave Universal de quem deu os seus Mundos ao Mundo e se tenta reinventar como exportador de matéria prima Humana.

Os anos 2000 são eufóricos em cursos superiores, formações académicas, canudos e equivalências profissionais. Todos se viram Senhores Doutores portadores de um título Superior.
Portugal era o anátema perfeito da realidade, das suas Novas oportunidades. Ao excomungar os seus em detrimento de investir nesse Mundo externo, empobreceu nas competências reais que detinha.

Quando a longa festa de livre arbítrio terminou em 2011, após o prelúdio negado de uma crise anunciada em 2008, uma purga assentou arraiais pela Ocidental Costa.

A dívida camuflada foi expugnada e o crescimento procurou-se, mantendo-se ainda num inconseguimento declarado. Nesta terra de azeitonas e cortiça o maior bem não se exporta, importa aos semestres. Nesse campo o turismo granjeia o existente, mas esse não deve efectividade à recompensa, uma vez que a bênção terrena já aqui estava antes da megalomania das infraestruturas públicas a delapidarem.

Na ânsia populista da igualdade busca-se petróleo a Sul.
Porventura espera-se que a matéria prima salve da ruína um sistema falho, consagrando a exploração do Homem pelo Homem como esse reduto político de salvação natural em todos nós.

MATÉRIA PRIMA.jpg

Sempre rumo a essas férias (mais que) perfeitas…

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