desprezo da despesa

Isabel Moreira de apátrida metamorfoseia-se em transformista.
Nem vale a pena recordar que o seu Pai, Adriano, cuja presença indelével marca a transição política Portuguesa entre o Estado novo e a Nova Democracia e agora se vê alçado a Conselheiro de Estado, teve presença na educação, quiçá, política da Mulher da igualdade ininterrupta a favor da IGV.

Pronuncio feito, Isabel regressa ao seu habitual antagonismo.
Pronuncia-se na sua eloquente narrativa habitual para expor a leitura lata sobre o quezilento hemiciclo da Geringonça face à Direita desestruturada.
Se não lhe tiro a verdade que a Direita anda num rumo sem Norte, o seu artigo no Expresso é uma ode à sua esquizofrenia sobre a verdade que entre se propõe entrar em breve nos bolsos de alguns, e a curto prazo, sair das poupanças de todos.

Evidente que a voz de Isabel não chega só. A entrevista do Ministro da Economia Manuel Caldeira Cabral no Negócios da Semana da Sic Notícias mais parecia uma rábula cómica onde a palavra de ordem era ‘esperança’ a qualquer custo e os cálculos de todo o impacto eram um ‘logo se verá’.
Como se existisse um desdém pelo impacto da despesa, agraciando o efeito placebo que retorno imediato dá na dita palavra dada e honrada.

Só que o verbo trai quem o conjuga.
António Costa até repete o jargão que vira hashtag promocional, mas a pose da posse não convence quem vê (ou viu) em Portugal um País onde investir.

A Frente Unida de Esquerda não se encontra num Mundo em Guerra Fria, crispado numa dicotomia entre o Ocidente Capitalista e o Oriente Socialista. O Capitalismo singrou na sobrevivência de um Sistema Comunitário e os Estados já não são os donos dos destinos dos seus cidadãos.
É estranho, mas a Democracia prevaleceu.
Por tal, o mercado externo, os países, as empresas estrangeiras que com Portugal negoceiam, não reagem bem à prepotência e pesporrência de um executivo que diz apenas “quem governa somos nós”.

As recentes reversões efectivas nos transportes públicos de Lisboa e Porto, na afirmação taxativa de que será feita na TAP, da catastrófica solução de resolução para o Banif e a nefasta reversão de activos tóxicos no Novo Banco, elencam a base do artigo de Peter Wise “Portugal accused of picking fights with foreign investors”Portugal acusado de causar desagrado entre investidores estrangeiros – no Financial Times.

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O mesmo jornal, o mais influente diário económico da actualidade, dedica um video de 2 minutos e meio a explicar a situação do Novo Banco/BES, claramente acusando o Governador do BdP e o actual executivo de banditismo pelo acto cometido na transferência de activos. Apesar de agora dizerem não concordar, o facto é simples, o Novo Banco, para os devidos efeitos, pertence ao fundo de resolução e esse é do Estado. Ou seja, o Erário Público encaixou mais 1.985 milhões de euros.
Com a entrada em vigor na nova Lei dos Bancos a 1 de Janeiro deste ano, este foi um caso isolado, mas ainda assim um declarado incumprimento de uma norma bancária, o pari passu – “proporcionalmente; em passo igual; sem preferência”.

Só que preferência, tal como já ocorrera na resolução inicial – embora essa tenha mérito Internacional reconhecido – recai sobre detentores alheios de qualquer agravo. Se antes fora, e continua a ser, o papel comercial, neste caso surgem os detentores de dívida soberana, garantida desde a resolução, e que não são apenas simples rostos mas grandes fundos de investimento.
Portugal transforma-se, e já o comparam, a uma Argentina ou Venezuela.

A metamorfose transformista da despesa que Isabel Moreira fala está já a ter um custo. Pode não ser monetário, pois não se viu sair, per se, dos fictícios cofres cheios do Estado, mas causa mal estar e incómodo ao ponto do desprezo.
Bem pode Adriano ter educado a filha sobre o juridiquês, mas para ela pari passu é mesmo passe partout, um passa por todos, pois ela nem na moldura fica bem…

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