Greek Style

O humor é algo fundamental na nossa vida.

sem graça seriamos apenas engraçados, e isso, a longo prazo, sendo cínico, não tem graça nenhuma.

 

Ter um prisma positivo sobre a vida, não sendo um optimista, sendo que o seu antónimo seria um pessimista, é ter essa visão negativa de algo.

O humor, mesmo o negro, sabe rir-se de si mesmo, num reconhecimento pessoal de que o que ali se retrata é justo a nossa falácia/falência frente à adversidade que a vida em si é.

 

Hoje em dia, pelo menos neste reduto museológico em que a Europa dos refugiados se tornou, a ideia que passa é de uma obliqua perfeição em que tudo já não passa de um reflexo instrumental previamente escrito, estruturado ou desenhado por alguém. Uma herança herdada.

Ou então uma demonstração de que, a sermos diferentes, somos exactamente iguais a tudo mais.

 

Esta vida moderna que tanto queremos é uma piada. Um reconhecimento à priori de não vermos essa graça do engraçado que tudo isto se tornou.

E a Grécia, ou o estilo Grego, é o culminar de tudo.

 

playtime.jpg

 

Ainda recentemente revia esse clássico da sétima Arte, Playtime de Jacques Tati, que, em 1967, previa uma Paris distópica num futuro não muito distante.
Tudo é igual ao mesmo que nada.
Arranha céus cinzas que se colorem numa sintonia de cromáticos néons nocturnos, um inefável carrossel de carros alinhados em parquímetros feitos divisores limítrofes da existência Humana, e nós na pele do eterno M. Hulot.

O enredo é a inexistência em si, ou a vida que pressupomos levar, como se de uma novela, cheia de capítulos que se repetem e nos entretêm, fosse.
Há tudo e nada. Um gag pegado.
Na verdade todo o filme é um enorme innuendo à nossa visão da actualidade moderna. Daquilo que queremos ambicionar ser.
Em determinado momento da trama, presos no salão de demonstrações Strand, em que se visionam os produtos futuros, colunas Gregas são transformadas em caixotes de lixo, tudo em nome de um adorno clássico de conformismo e aceitação pelo belo em vez do real.

Thro-out Greek Style.

 

Sintoma do presente refém nesse passado feito projecção do amanhã.

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