laissez-faire

Nem só de monumentos caídos se erigem as políticas de Esquerda.
Também a Direita tem os seus ditames palavrosos que servem de insulto de algibeira, pronto a indiciar uma qualquer criança comida num brunch elitista por um grupo de sedentos yuppies em permanente especulação bolsista.

Se os perigosos Comunistas comem as criancinhas ao pequeno almoço, quem o faz à Extrema Direita, é um perigoso Neo-Liberal!

Certo, vamos a concepções arbitrárias de conceitos. Antes de mais, e fora a piada rasca, nem yuppies ou Comunistas comem crianças – exceptuando pedófilos ou canibais; nem o perigo, a ser real, existe numa Sociedade que se pretende equilibrada.
Só que o conceito existe mesmo. E esta ideia de neo é tão simples como a apropriação, ou renovação, de algo que já existia e que se adapta a uma contemporaneidade.

O liberalismo económico surge como a oposição ao mercantilismo do século XVI, por forma a que um Estado não usurpe o proveito do individuo em função da Instituição.
Na prática são as ideias da defesa da propriedade privada, e em como o individuo deve ter posse e pertença daquilo pelo qual trabalha, ao contrário de ser explorado por uma máquina que determina o seu rendimento em função do que acha que ele merece.

Evidente que o pensamento, explicado de forma simplista, evoluiu para uma ideologia mais complexa onde se defendiam a livre concorrência, a lei da oferta e procura, assim como a capacidade do individuo contribuir activamente com a Sociedade.
Só que a ideia do laissez-faire imperou, e a arbitrariedade do individuo sobrepôs-se.

O Estado acabou por intervir e os ideais liberais, por não serem de alguma forma regulados, colapsar. Mas a ideia da vontade própria, sobretudo da propriedade privada, seguiram como essa ponte que nos liga ao início do século XX.
Nesse momento, saídos do pântano da 1ª Grande Guerra, em que as economias se viam fragilizadas pela decorrência bélica, a forma de capitalizar rapidamente os Estados de sítio era injectar capital privado.

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Assim os modelos da Escola Austríaca (Keynesiano) e da Escola de Chicago (New Deal) surgem quase em simultâneo, reestruturando a ideologia liberal que anteriormente se propunha, mas agora regulados em princípios de recuperação Social.

Basta pensar que toda a política do Estado Social – o welfare state; se desenvolve a partir dos ideais neoliberais da Escola Austríaca, valores conservadores pelos quais ainda hoje pugnamos.

Mas depois da bonança chega o excesso, como em quase tudo o que é promissor.
O neoliberalismo da década de 1980 permitiu-se crescer num nexo sem escrúpulos, pois o capital existia em mercado desregulado, à vontade de quem dele fazia mero instrumento sem contabilidade declarada.
Depressa se ganhou, depressa se perdeu, e a justiça nada notou.

O jargão popular do perigoso neo-liberal surge pelo fanatismo com que esses yuppies Nova Iorquinos, osChicago Boys de Pinochet, ou o executivo de Thatcher tinham ao impor a sua fé económica das privatizações Estatais, regulação da moeda, e a malfadada poll tax.

E é aqui que a ideologia, desde que o termo foi usurpado negativamente, falha.
A aspiração, como sempre defendo, torna-se em ambição, e o que deveria ser um liberal transforma-se nesse pastiche de prefixo ‘neo’.

O neo-liberal é o uma excrescência existencialista de um momento em que o mundo achou que, por produzir mais poderia taxar de igual forma, mas sem perceber que todo o verdadeiro liberal é, de alma, conservador, e dito isto, quem sabe os valores a conservar, percebe o risco da desregulamentação inconsequente que o livre arbítrio produz em isolamento.

Porque viver em Sociedade é ser conservador, nessa ética do respeito comum, mas liberal no dialogo em prol de um futuro, e sobretuto, saber que o laissez-faire, deixar-fazer, apenas nos traz onde estamos: a uma clara falta de respeito democrático.
E isso é que é ‘neo’ aqui.

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