Horizonte invertido

Tudo nos parece pior quando o vivemos na pele.
Depois paramos e pensamos: poderia ser pior. Muito pior.

Aqui em Portugal foi mau. Muito mau.

De facto quando a realidade da falência do Lehman Brothers me chegou em 2008, quando vivia em Madrid, apercebi-me do fantasma do medo que estava por chegar.
Em 2009 voltei para Portugal. Qual a minha placidez perante um País onde se dizia que a crise tinha acabado se na verdade nem tinha começado.

Aí surtiu o efeito Sócrates e o seu altruísmo do optimismo de última instância (também conhecido como PEC IV).
Nesse momento tudo ruiu.

Em 2011 o Governo cai, retumbante e com estrondo.
Houve uma espécie de contentamento descontente. De que o erro era aquele e que, a saná-lo, tudo iria melhorar.
A Troika veio e as promessas “eleitoreiras” da oposição depararam-se com contas camufladas e inflações deflacionadas. A negociação de certos números não era tão certeira.
Os três anos seguintes foram regidos por esse fantasma do medo.

A oposição existiu para não falar, e o Governo para aplicar o veneno de um remédio que não se quer.
Tudo foi pelo pior. Cortes nos salários, pensões, subsídios. Aumentos nos impostos. Nas taxas e taxinhas.
A equidade foi apenas para alguns. Esses do esquecimento oportuno e da memória irreversível.
Já os irrevogáveis definiam novas formas de ficar e salvaguardar a estabilidade Nacional.

Mas a linha invertida do horizonte, horizontal é, e no final, depois de sucessivas notas positivas, saiu-se do Programa de Assistência Financeira.
Respirou-se.
Ou não.

linha do horizonte

A Troika saiu de corpo mas ficou em espírito.
Seguiu-se a fúria oposicionista calada numa torrente de meias verdades.
Sim, o Governo elegeu-se numa promessa fraudada. Mas recebeu uma herança mentirosa.
A memória Socialista perdura na vontade de um País que gosta de receber, mas ser mimado pelo Cavaquistão passado dos Social-Democratas. Agora só há um ex Primeiro Ministro acusado de corrupção; um Presidente que se desdiz sobre o que antes fez; e uma Coligação que pretende por Portugal à Frente, quando à frente ficam as fraquezas da memória passada.

Sinceramente este não é o meu Governo de eleição. Também não saberia o que escolher objectivamente.
A filiação é algo que se estranha, entranha, mas o seu vício não permite experimentar a diversidade.
Se de um lado há virtudes, do outro conluios de oportunidade. Mas isso é a política.
É o mal menor daquilo que pode ser pior. E isto é algo que a soma da emoção à razão linear não conseguem demonstrar. E eu compreendo.

Mas cair num erro do passado, na promessa de que quem cometeu a fraude aprendeu a não mentir, é confiar de olhos fechados que a linha do horizonte não se vai inverter de novo.

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