“Independência ou Morte!”

O Bloqueio Continental estava instalado.
A fuga foi o mal necessário para o garante de soberania numa época em que a invasão era razão de destituição do poder reinante.
A Corte pôs-se em fuga.

Estávamos a 29 de Novembro de 1807 quando os dezoito navios da armada Portuguesa partiram rumo ao Brasil, uma colónia distante, pérola de riqueza extraível e interesse supremo de Napoleão Bonaparte, o Imperialista Francês.
Nas suas ‘Memoires de Ste. Hélène’ o Imperador exilado descreve bem o que a jogada estratégica deste Reino atabalhoado lhe fez: c’est ça qui m’a perdu.
E tendo perdido ‘isso’, Portugal unificou-se como Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, um poderio de pouca dura, pois um grito de adolescente feito Homem, às margens de um riacho veio para mudar tudo.

Estávamos a 7 de Setembro de 1822 quando D. Pedro de Bragança, filho do Rei D. João VI recebe a carta de seu pai a ordenar-lhe que regresse a Portugal, uma vez que, em consequência da insurgência Revolucionária Liberal no Porto em 1820, este tinha voltado à Pátria, concedendo o pacto colonial como forma de tornar o Brasil de novo em apenas uma colónia.

D. Pedro não assentiu e gritou: “Independência ou Morte!”
O riacho era o Ipiranga, perto de onde hoje está São Paulo, e como tal, esse é o grito da liberdade colonial Brasileira.
O Brasil Reino termina e transforma-se em Império.
Vira País. Independente.
Ou nem tanto.

Os gritos de Liberdade ou Morte não são criação da imaginação rebelde do Príncipe Regente feito Imperador. São consequência da emoção lógica impor-se sobre a razão ideológica.
Claro que a independência do Brasil, enquanto potência sustentável, tinha a lógica emocional da razão do seu lado.
Mas e a identidade? A quem pertence a identidade? E a soberania individual?
E o carácter de retorno que foi o garante de sobrevivência de um país achado e feito real com base na miscigenação da colonização?
Houve aceitação? Hesitação?
O tempo sarou a ferida?
Quem se deixa governar na perpetua memória do erro?

Se perguntas houvessem sobre o que se sucedeu na sequência do grito de D. Pedro I, seguramente não seria sobre o facilitismo da Independência.
Pelo contrário. Perguntas houve várias. Sobre os direitos de posse. Da pose.
Da sucessão de garantias.
Do ressarcimento à Pátria Lusa garantido pelo Tratado do Rio de Janeiro em 1825.

Ou como diria, no chavão absoluto, Lavoisier:
“Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.”

E naqueles tempos, em que as Monarquias detentoras do poder tinham uma herança genética de comportamento e responsabilidade, havia um princípio de Governabilidade geracional.
Não eram meros políticos.
Viviam para a sucessão, garante de estabilidade da sua geração.

Hoje temos políticos. Nem Estadistas. Esses surgem do pano de fundo da Guerra. Da real necessidade da resolução da destruição.

GREEK.jpg

Olho para a crise Grega com a atenção histórica de um grito.
Não de D. Pedro. Nem sequer da letra do Hino Romeno celebrando a sua independência da Hungria.
Penso na força independentista Grega ao vencerem a ocupação Otomana, gritando “Liberdade ou Morte”, símbolo das listras na bandeira azul e branca.

Do grito de όχι na passada semana. Da emoção lógica.

Porque na celebração deste acordo Europeu questiono-me:
Onde está a Liberdade?
Ou a Independência?
Não será só tudo política de eleição? Ou morte.

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