labirintos

Há um mérito a ser dado ao Syriza: devolveu a identidade Elláda aos Gregos.
Ou pelo menos fez crer a Europa que os Gregos o são, na sua herança puramente mitológica.

A mitologia Grega é prolixa, recheada de Deuses caídos e heróis forjados na força que a impossibilidade lhes dá. É tragédia, comédia, teatro. Obra de lendas.

Perante o enredo que se viu desvelar nos últimos cinco meses, em que um Governo de Extrema Esquerda, uma novidade insurgente na dita Conservadora Europa, se elege democraticamente na Grécia, supõe-se que os restantes membros da elite eleita estremeceriam com o novo mau aluno da turma.
A verdade é que o artifício da ilusão, mérito de uma campanha feita de chavões populistas – uma novidade de estilo na Europa; rápido caíram perante a real necessidade de negociações.
As promessas prometidas para a ascensão se esfumaram em reduto de impossibilidade, e a imagem do Governo anti-herói surgiu.

Numa mudança radical, quase extremada, as mentes Europeias da ajuda viral returquiram em tom meritório de glória: vamos ajudar a pagar o bailout Grego.
Só que o desfecho da negociação não é a negação da realidade, fazendo da glória a tábua de salvação irrealista.

A dívida existe e foi criada por alguém, ainda que herdada, doada ou dada, quem, a ser eleito, se propôs a negociá-la que o faça sem se refugiar num beco sem saída.
Labirintos de articulação em fugas de escapatória apenas iludem quem não se crê, em parte, dador para o cumulo de fundo perdido que a divida Grega se tornou.

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Se os Governos do passado são um Dédalo, construindo o labirinto que em tempos albergou o Minotauro da prosperidade, agora é o jovem Tsipras, versão Ícaro, que busca uma saída para esse percurso intrincado, criado com a única intenção de desorientar quem o percorre.

Só que tal como ícaro, Tsipras esquece-se da verdadeira razão de ser do labirinto Grego:
“Originalmente o labirinto era um ambiente de experimentação, não uma prisão, onde seu percurso era mais importante que a saída.”

Deste modo, e tal como o jovem Ícaro, perante a persuasão da ambição, entre querer chegar perto demais de um Sol que o ilumine e faça dele brilhante, Tsipras incorre no risco certo de se despenhar em tamanha tentação.
É que o brilho do seu sol diz ναί ao referendo, mas a cera que segura as asas da sua fuga derretem num claro όχι.

E nisso, a queda no Egeu, é derrota certeira.

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