descon/tenta/mento

Se Luís Vaz de Camões o escreveu como soneto ao Amor, a frase invertida aplica-se ao sentimento que parece existir nos que vivem aprisionados em Democracia.

Se para a dor, no seu fogo, o Amor era um contentamento descontente, a Democracia, aquela que se nasce sem ter direito a escolher como opção, é um descontentamento contente.

A virtude de se nascer com o Direito a ter Direitos, ou pelo menos à sua opção de Liberdade, nem que seja de Expressão, é algo que parece não acalentar o fogo que dói mas não se vê.
Ao se sentir, apenas se faz ouvir num role de queixumes intrigantes que fazem crer a vontade explícita na mudança.

A sustentabilidade Humana, a de se ter lembranças, exige, no seu legado, a memória do lugar. Já mais não somos nómadas. A sedentarização existe, e por lógica de razão, contamina a permanência como forma de vida.
Mas o lugar de subsistência, no mundo dos Direitos Democráticos, da livre troca de bens e capitais, não é fixo. Ele é plausível de migração, mutação e transferência.
Ou de elegermos a opção, racionalmente, melhor para o modus vivendi escolhido.

“Quem está mal que se mude” já diz o ditado, e se a Governação dos mesmos é má, que se eleja a próxima, ou a seguinte, na alternância que proporcione o equilíbrio racional.

Mas é a Democracia racional?
Como sistema sim.
Como vontade individual não.

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O “descontentamento é contente” porque apesar das queixas e queixumes, o nosso lar é onde está o coração, e esse, o Português, faz-se de saudade.
No final, embora se atire a crítica da responsabilidade da partida a uma necessidade, não foi a ida para uma melhor Democracia uma solução mais proveitosa?
Ou a alternativa, na ausência de natalidade, identidade, ou memória do lugar, não serviu de alternância?

O convite da alternância, de um “contentamento descontente”, está feito, tal qual soneto, onde a amizade não existe, vive só a dor e ardor, de um amor impossível de se viver.
É que na escolha Democrática, dos Direitos a ter Direitos, na Liberdade individual de cada um, há a opção da escolha.
Saber que na partida há uma chegada. E no desconto, a garantia que no futuro, nada é certo.

“Há imigrar e emigrar, há ir e voltar”

 

Nota:

Texto escrito tendo como ponto de partida esta ideia do Estado Social como a obrigação da ajuda dos necessitados sem que os mesmos nada tenham que fazer para dele merecerem receber ajuda – na versão de que ‘esta’ Democracia é má e falhou.

Sente-se um descontentamento generalizado em busca de uma responsabilização no outro que não se sabe bem o porquê, recai em nós também.

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