O Flagrante Delito da SIC

Como todos os bons jornalistas sabem, a notícia vale do seu tempo de publicação. Noticia requentada tem o mesmo sabor de um prato que foi re-aquecido e servido mais tarde. Ou seja, para um jornalista de investigação, aquilo que importa, e vende, é o furo jornalístico, associado a fontes secretas, de onde emana informação privilegiada que aguça o interesse dos leitores e telespectadores.

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Em Portugal temos três fontes de informação televisiva: o canal Estatal, a RTP, e dois privados, a SIC e a TVI.
Cada qual faz as suas notícias exclusivas.
A RTP menos, pois vincula-se a informação oficial e espera que a mesma seja emitida por fontes seguras e fidedignas.
A TVI faz furor com manchetes sensacionalistas direccionadas a um público alvo de corações moles e com os quais criou um laço de afecto. Explora temas emotivos como a Pedofilia, o Caso da Maddie MacCann e mais recentemente o Caso do Meco. São esses os seus furos jornalísticos.
Depois há a SIC.

A SIC é sempre o canal com as notícias bombásticas. Sempre que há uma notícia relacionada com perturbações políticas e económicas, com investigações criminais em segredo de justiça, há sempre um exclusivo SIC onde tudo se sabe antes de todos.
Há que se dizer que é um exemplo de flagrante delito que a SIC faz e que ninguém quer reparar.

Não me vou aprofundar muito sobre o tema e dar dois exemplos, um pessoal e o outro de hoje, sábado dia 22 de Novembro de 2014, sobre a cobertura exclusiva do ex-Primeiro Ministro Sócrates a ser levado pela PJ a depor.

No meu caso pessoal fiquei a saber que o meu Pai, Abel Pinheiro, estava a ser detido pela PJ ao vê-lo em directo na emissão da SIC. Eu estava em casa, depois da Faculdade quando se interrompe a emissão normal para dar cobertura mediática e eu ver o meu Pai a ser levado ‘como um urso’ Rua Castilho a baixo.
Naquele momento estranhei como saberia a SIC que o meu Pai seria levado naquele preciso momento do edifício sede da Grão Pará para ser detido a depor, mas no meio da confusão não pensei mais no assunto.
Deixei o pensamento maturar e hoje vejo as coincidências com muita atenção.

Nesta madrugada fui acordado com a mensagem de que ‘Sócrates foi detido pela PJ’, e quando vi a reportagem exclusiva da SIC (que estranho?) constatei alguns factos interessantes.
Além da equipa de filmagens estar num lugar muito especifico onde filmar um carro não identificado, onde o ex-Primeiro Ministro seguia, estiveram antes no aeroporto e sabiam justo em qual voo ele vinha de Paris.
Como sei isso? Porque nas filmagens que mostram o suposto voo em que Sócrates chegou, no placar electrónico lê-se aterragem prevista às 22:20, e não a hora da aterragem. Ou seja, a filmagem foi feita antes do avião chegar.

O que quero dizer com isto? Que alguém informou de forma activa a SIC de que tudo isto se iria passar. De que o Eng. Sócrates iria ser detido no Aeroporto da Portela, ao sair do voo da AirFrance com chegada prevista às 22:20, e que um carro não identificado iria passar naquela rua – que nem é um acesso directo das partidas ou chegadas do aeroporto; e que desta forma, a SIC teria o exclusivo da notícia.
Mais graça teve o directo após a passagem do carro, enquanto o jornalista falava ao vivo para o estúdio, a policia de trânsito aparecer e vir autuar a equipa de filmagens por estarem num lugar proibido.
Está tudo gravado para quem quiser ver.

Isto tudo leva-me a crer que, e é óbvio que tal aconteça, existe uma fuga de informação privilegiada para a SIC de Francisco Pinto Balsemão, e que a mesma tem que, necessariamente, vir de fonte superior
Este tipo de informações não vem de pessoal menor dentro de forças de investigação judicial. Então quando se fala de detenção de um ex-Primeiro Ministro, poucos são aqueles com acesso a informação tão sensível.
O que me leva a pensar nas teias de corrupção entre os Meios de Comunicação e os Meios de Investigação, Poder Judicial e Policial. Teias essas que, um dia, também serão investigadas.

A pergunta que fica é, quem é que nesse dia noticiará tal ocorrência?

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