Ecumenicidade e o direito de propriedade

Sempre aprendi que a propriedade construída era macho e o terreno fêmea.
Se o conceito parece arbitrário nada mais lógico de um mundo capitalista onde a inversão sobre o ônus da manutenção existe. Enquanto o encargo sobre o património construído não prolifera além dos encargos fixos existentes, possuir um terreno de fecunda fertilidade traz justo essa oportunidade, rendimento.

Evidente que a falácia se faz óbvia.
Não entrarei em teologia de pacotilha, mas não há fertilidade sem fecundação, e fecundação que não traga encargo.
Sejamos sinceros, a lei da vida carece de manutenção, caso contrário seria um mistério da Fé.

E aqui chego, ao mistério que de Fé carece para se entender como compreender a destorcida lógica de ter um magnata do Bronx Nova Iorquino jogando ao direito de propriedade em solo Sagrado nos seus antípodas de entendimento.
Caso tudo não fosse verdade mais parecia uma história de Natal.

Quando Constantino toma Bizâncio e faz dela a sua Constantinopla, erguendo nela muros de proteção, almeja o início de algo milenar; o Patriarcado Ecumênico.
A Ecumenicidade de Constantino era algo que ultrapassaria o cerco disposto na sua cidade, ele transcenderia, como bem define a palavra, ao ‘oikos’ da questão, a esse lar universal de raiz Grega, a reunião de tudo e todos, raças, credos, religiões e formas distintas de pensar.
Só que os direitos de preferência sempre se intrometeram onde a razão lógica da Liberdade do indivíduo se fez propalar.

Jesus ter Pai, terrestre, terreno, espírito, Mãe e milagre, história e estória, tudo convenção, muro e mural. Razão de Fusão e Cisão.

 Após sete Concílios e um milénio onde Ocidente-Oriente conservavam a razão fundacional do apostolado de São Pedro e Santo André, a queda de um Império valeria a mútua excomunhão no ano de 1054. Mas nem todo o legado litúrgico de comunicação e proximidade se havia perdido no grande cisma.
O traço latente que nos legou a unidade Cristã meio século depois em Trento faria com que nos anos 60 do século passado o II Concílio do Vaticano nos trouxesse a reaproximação quebrada pela contrarreforma vigente.
Hoje a pacificação possível vive na Ortodoxia acéfala, independente do Vaticano, nesse respeito cuja a palavra de universalidade melhor a define.
Uma luta mista entre o imaterial e a propriedade de que se fazem, reflexo do tempo logrado em espera e antecipação.

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Jerusalém poderia ser semelhante.
Não é.

Milagres, paridade e igualdade, proteção e convenção? Não, assédios e negação.

O pacóvio do Bronx não é um novo Constantino nem tem atrás de si um Santo André apadrinhado pelo Messias para se designar proprietário por usucapião daquilo que, como numa narrativa milenar, a todos os que por lá passam, a todos, pertence.
A uma Fé que, ao matar, nos faz ecuménicos por razão empírica.
Porque se o território por uma embaixada ocupado é terreno nacional de um país, que religião professa aquele que por lá passa quando a Laicidade é o seu mote de inclusão?

A falácia é de novo óbvia.
O direito de propriedade determina a Liberdade do individuo mas nunca aquilo que ele se deve ou não cingir.
Isso só a imposição retaliatória que os Ditadores apresentam. Nomeadamente aqueles do ramo imobiliário, machos de dúbia fertilidade.

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