Moon River

“We choose to go to the Moon! …We choose to go to the Moon in this decade and do the other things, not because they are easy, but because they are hard (…)”

Há umbigos e a tendência de neles se juntar bolas de cotão.
Há depois esse factor inestimável do orgulho delas fazer uma inflamável pira de vaidades da hipocrisia pessoal.

Não faço ironias sobre Etnias nem as trago para o plano político como se de Raças fossem – quando Raça há uma, a Humana.
Aguço sim, sem dó ou pudor, a farpa que me habita, quem faz da sua ironia a ausência de razão a crítica vazia para o desviar de temas verdadeiramente pertinentes que nos abalam.

Se um texto que começaria por ter no seu cerne a questão sobre as etnias ciganas que parecem crispar tanto a Sociedade (nomeadamente política) portuguesa, de pronto este meu texto se tornou num crônica sobre costumes e pautas de cartilhas ideológicas onde o espaço e tempo parecem não existir.
Mais a mais. A temática do cotão, título original, acabou substituído por Moon River, uma alusão à canção que uma “garota-de-programa” canta em busca pela sua liberdade de um estigma na Sociedade que a faz ser o que é.
Mas se uma Audrey Hepburn é a perfeita ‘Boneca de Luxo’, que visão teríamos na escolha de uma Marilyn loira platinada como Holly Golightly? Mais Maria Madalena bíblica ou versão Dan Brown para as massas?

E se a minha larga introdução parece confusa, não o é. No seu âmago guarda essa premissa que encabeça o início do texto, uma promessa de irmos mais longe como Humanidade e o permanecer ruminantes e díspares como Humanos que somos.

Na verdade o Moon River não era o de Capote, antes o de Almodóvar. O de uma igreja que ao se ver reflectida julga sem juízo de ética própria.
E digo isto porquê, porque entrei num estéril diálogo em rede social aberta com o ‘discípulo amado’ João Silveira, estudante e professor na Pontificia Università della Santa Croce em Roma, de onde gere o seu blogue Senza Pagare.
Se respeito, como o faço com todos, a sua visão dogmática segundo a Cristandade, há aquele limite onde a Fé e a Ciência se cruzam e a tal bola de cotão se torna demasiado ‘umbiguista’.

Moon River.jpg

Parece-me inadmissível, sobretudo aos olhos de uma razão de intelecto, que em pleno século XXI existam ainda campos de concentração para minorias étnicas. Que os homossexuais sejam perseguidos por algo que não se escolhe mas assim se nasce num hipotético derivativo genético onde a biologia futura nem sequer é chamada.
Que exista alguém que cite São Bernardino de Siena, o monge Franciscano do século XV, para demonstrar a “maldita sodomia” que abala o mundo.

Numa resposta à luz da Ciência, razão, com amor e temperança; tal como prometido ao beato Silveira; recordo-lhe aquilo que antes lhe disse:
Não é por um grupo de pessoas achar que algo está certo que o faz correcto. Se assim fosse a escravatura continuaria em larga escala pelo prático que é, ou ciganos, homossexuais e judeus (para não falar em deficientes e outros que tais) continuariam a ser exterminados por serem uma anomalia, um desvio, uma aberração.
Não, da mesma forma que – e nem será preciso invocar a Ciência – o bom senso nos diz que escravizar alguém pelo simples facto de “nos” supormos superiores a alguém é incabível numa Sociedade que se procura ser no mínimo justa, exterminar minorias a reboque de superioridade moral ou teológica não tem cabimento.

(parênteses técnico: é o modus operandi do DAESH)

Mas a perseguição de minorias étnicas – e citei as que os Nazis gasearam nos seus Campos de Concentração – é uma vertente que a Igreja Historicamente sempre mostrou tendência e apreço num juízo demasiado apressado.

Não pretendo fazer um Auto de Fé e ser um Ratzinger em voz off para criticar aquele que está a ser o Papa mais audaz que a Igreja Católica tem tido na sua História recente, mas não nos esqueçamos que a própria Igreja fez Autos de Fé sempre que algo ou alguém lhe fez frente ao dogma instituído.
Infelizmente ainda persistem em perseguir e tenho de ler textos actuais que justificam as taxas de doenças sexualmente transmissíveis com a prática homossexual do sexo anal – Their Sexual Proclivities Are Killing Them – como se o preservativo não existisse e tudo isto fosse uma cabala do lobby LGBTQ para impor a sua cartilha ao Mundo. A sério, queimem os gays numa fogueira e criem o novo Éden, Adão e Eva, uma prol de filhos incestuosos…

Queda-me difícil compreender como é que o mesmo Ser Humano, esse capaz de colocar o Homem na Lua, seja tão retrógrado ao ponto de viver aprisionado numa caverna de convicções fajutas sobre o pretenso fim da Humanidade por causa do amor entre pessoas de diferente orientação.
É dogma, uma só visão dita sempre como se fosse aceitação. E a verdade?

“Moon river… dime dónde están
mi dios, el bien y el mal,
decid.

Yo quiero saber
qué se esconde en la oscuridad”

(é o medo dessa igualdade)

Nota:
O medo dessa igualdade aqui transposta a uma facção da Igreja – nunca ao seu todo – é esse medo que parte da Sociedade vê na Comunidade Cigana. Não que a própria Comunidade Cigana se esforce para integrar a sociedade e assim preferir permanecer na sua clausura de própria imposição. Mas sobre esse caso deixo a farpa, não por mim lançada, mas quem quer um bairro de ciganos perto de casa?

Anúncios

One Comment Add yours

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s