A toxicodependência religiosa

Bem sei que o tema pode não parecer muito político, mas há factos que os factos tornam políticos quer se queiram, quer não.
Há uns dias fiquei atónito por descobrir da existência de uma Associação de Psicólogos Católicos, efeito tão contraproducente como Mike Pence, o futuro vice Presidente Norte Americano ser um Criacionista.

Se por um lado não me faz sentido algum que a psicologia, arte onde a ciência tem um lugar fixo e a medicina impera em estricto bom senso se alinhe por dogmas onde a negação faça parte da irrazoabilidade, que um Criacionista seja eleito em pleno séc. XXI é capaz de responder a muitas destas dúvidas.

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Vejamos, a dita psicologa Cristã, Maria José Vilaça defende que é preciso “tentar não ser influenciado do ponto de vista sentimental, moral e ideológico” quando se trata da questão de identidade de género, algo até razoável, para depois entrar num delito existencialista onde a responsabilidade se chama culpa:
(…) para aceitar o filho não é preciso aceitar a homossexualidade. ”Eu aceito o meu filho, amo-o se calhar até mais, porque sei que ele vive de uma forma que eu sei que não é natural e que o faz sofrer.” É como ter um filho toxicodependente, não vou dizer que é bom.

E aqui entramos neste psico-drama dos tempos modernos que uma determinada facção ideológica da Igreja tenta estabelecer como padrão vigente do supra moralismo religioso: a homossexualidade é anti-natura.
Pela lógica dos evangelhos prescritos, nascemos todos heterossexuais, sendo que seguramente é esta Sociedade da auto-indução que nos faz ser gays.

Mas mais do que isso, e com grande surpresa, há mesmo quem tente criar uma co-relação política entre o Papa Francisco e a nova ideologia de aceitação Católica que esta nova Igreja pretende ser.
Paginas tantas, na mixórdia que os dias se tornaram entre Trump se ter tornado o Presidente eleito e o mundo reagir, vejo surgir o mais extraordinário título da pequena imprensa que se ignora mas abunda no feed social de quem tem amigos que professam uma Fé Católica: “são os Comunistas que pensam como os Cristãos!”, terá dito Francisco acerca de Trump e do ressurgimento do populismo de extrema Direita.

Veja-se só, um Papa com adesão política, mencionando um movimento político cuja a base ideológica tem como factor base a exclusão da religião. Mais ainda, uma ideologia que apenas fez, nos últimos 50/40 anos, da inclusão da diferença de género uma batalha tão importante como o foi a abolição da escravatura em outros tempos.
Pena dizer que a frase, a não ser de Francisco em pessoa, é parte de uma “entrevista” que o mesmo deu a Eugenio Scalfari, o reporter oficial do diário de esquerda La Repubblica, que com 92 anos nada gravou mas tudo decorou de memória.
O Vaticano rápido se apressou a dizer que o objectivo do Catolicismo é a crença num só Deus (não em princípios políticos).

Ou seja, da mesma forma que num modelo político de Governação existe a separação de poderes, quando se tratam de temas em que a Crença, a Fé e a Ciência entram num confronto da evidência racional, nada mais há a fazer que separar temas e não os misturar.
A psicologia não se coaduna com um princípio retrógrado Católico onde a Ciência evidencia aquilo que se sabe pertencer ao livre arbítrio (ser toxicodependente) ou à inerência do Ser (ser homossexual).
Por outro lado, não vale fazer da Crença e Fé modo político de subsistência, porque senão apelamos a que o medo seja uma ferramenta onde o populismo fanático é o vencedor.
Pois, o Trump venceu e há um criacionista na Casa Branca…

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