Iogurte Filosofal

Tudo tem uma razão de ser, e se não o tem, rapidamente adquire uma lógica que lhe dá uma razão se existir. É simples lógica Humana, na edificação do pensamento relativo.

 

Todo o pensamento emana da nossa percepção de existirmos. Óbvio, e evidente, será dizer que se não existíssemos não pensaríamos, e sem pensamento não se criariam ideias, conceitos, e modos da vida ser observada.

 

Sendo ainda mais lato, sem existir o Homem ele não poderia, por ele próprio, ser pensado.

 

Passando o absurdo do óbvio, risível até, assistia televisão de massas, aos longos e eternos intervalos entre as notícias que nos definem tendência quando, entre tudo o que não preciso e quero comprar, me surge aquele anúncio das velhas senhoras gregas em defesa do seu iogurte grego.

 

O nome escolhido pela marca dos corpos firmes e sem defeito – feito jargão do amor pelo físico – traz consigo um profundo pronúncio disso que deixamos de ser: οἶκος.

 

O nome de um suave creme de leite fermentado não é mais que a definição de Casa, ambiente Habitado ou Família. Até mais, é a unidade básica de uma sociedade.

O que aquela legenda num roda-pé televisivo esconde, ao nos indicar que o iogurte produzido na Península Ibérica tem nome de antiga palavra Grega, é justo isso, uma unidade básica de Sociedade em que a Casa, a Família, o Ser Humano existe como parte integrante e complementar de sobrevivência em Comunidade.

 

Claro que o regime vivido no tempo dos grandes filósofos da antiguidade era o tempo em que a escravatura, a exploração do Homem pelo Homem, era uma realidade concreta e admissível.

Mas com esta ideia Grega, rotulada em iogurte, havia liberdade de escolha, assim como salário de recompensa.

Se não fosse ideal e as cambiantes do livre arbítrio o transgredissem, quase poderíamos estar perante uma actividade do intelecto ou da razão em oposição aos sentidos materiais. Uma inteligência e pensamento utópicos, aquilo que na filosofia fundamental se define – sem transcrição directa para Português – como νοῦς, nous.

 

O termo filosófico viu-se assim apropriado por diferentes filósofos, entre eles Homero, Anaxágoras, Platão ou Plotino. Por ventura aquele que lhe deu maior profundidade analítica, nesse sentido da abstracção mental em vácuo, foi Aristóteles.

 

oikos.jpg

 

Se ele associou este conceito ao intelecto, distinguindo-o da nossa percepção sensorial e dividindo-o entre activo e passivo, sendo que o passivo é afectado pelo conhecimento e o activo é a eterna primeira causa de todas as subsequentes causas no mundo, já podemos materializar uma Sociedade de οἶκος como um belo iogurte Aristotélico.

 

Veja-se o fenómenos de se produzir iogurte caseiro recorrendo à fermentação de outros iogurtes como linha de continuidade, nessa noção de eterna primeira causa de todas as subsequentes causas no mundo, sem que exista uma percepção sensorial do que o efeito produzido faz, além de matar a fome por um conhecimento passivo.

 

É a Sociedade actual, abstraída no seu νοῦς οἶκος, entre a ameaça de umas velhas senhoras e o seu iogurte, e a realidade de não saber qual é a sua unidade básica Social, querendo-se uma saída para um problema no vácuo da sua criação sistemática, algo maior que um iogurte cujo prazo de validade expira findo a fecha de caducidade.

 

Fermentação politicamente correcta.

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